CCXXVII

Usei as vestes da ira para cobrir o vazio que me doía por me sentir tão incapaz de me dar [a ti]. Fui [-te] tão pouco que, se desarmada da voz que emprestei a cada uma das silabas seria capaz de me desfazer em pó de nada. Cega [por ti] desnudei toda insuficiência de conseguir mostrar [-te] mais do muito que ocultei. Ali fui apenas uma necessitada [de ti], trajei-me de despedida para não abrir caminho ao medo de dizer [-te] o tanto que me falta dizer do Amor que sinto [por ti].


_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXVI

Encostasses tu o teu pensamento ao meu, devagarinho. Sentirias tão somente o desassossego de quase sermos nós, a cruzar a linha da distância em que mergulharam as nossas bocas.

_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXV

Toda a expectativa como um jogo impreciso das nossas vidas. Sobre a mesa espalhámos todos os ases como roupas despidas a colorir um chão sem cor. Tantas e tão poucas noites a pingar Luas quentes e empates disputados nos naipes das nossas mãos. Embaralhámo-nos e voltámo-nos a dar em subtilezas de sedução com a certeza que era o Amor que mais valia. Apostámos sem medo toda a vontade de ganharmos pontos a um tempo que não era o nosso. No auge da vitória arriscámos novas regras e perdemos tudo. Jogámos a carta da derrota sabendo que juntos conseguimos ser um baralho inteiro...

_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXIV

... que caiam, um dia, todas as máscaras entre nós...


_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXIII

Amanheci numa melancolia quase nocturna... A saudade dormente, nostalgia de tantos impulsos a entrar peito adentro quis gritar caminhos, corre-los sem regresso e não mais voltar. Despertaram todas as palavras emaranhadas entre os dedos e sangrou a dor de um desejo vincado na pele: devolve-me a serenidade no primeiro pensamento teu onde me avistares...

_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXII

Escondo uma sombra vulnerável debaixo do meu olhar, a lágrima indelével de segredos gemidos, como se cada pestanejar tivesse a dor do silêncio que pulsa apertado entre o teu coração e o meu.

_____________________________________________Ás de Copas___

Castelo de Cartas (volume I)

. Sinopse
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I-X
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XI-XX
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XXI-XXX
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XXXI-XL
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XLI-L
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LI-LX
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LXI-LXX
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LXXI-LXXX
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LXXX-XC
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XCI-C
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CI-CX
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CXI-CXX
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CXXI-CXXX
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CXXXI-CXL
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CXLI-CL
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Rascunhos
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Posfácio





Textos: Copyright By




Sou uma espécie de carta de jogar, de naipe antigo e incógnito, restando única do baralho perdido.
Não tenho sentido, não sei do meu valor, não tenho a que me compare para que me encontre, não tenho a que sirva para que me conheça.
E assim, em imagens sucessivas em que me descrevo – não sem verdade, mas com mentiras – vou ficando mais nas imagens do que em mim, dizendo-me até não ser, escrevendo com a alma como tinta, útil para mais nada do que para se escrever com ela.
Mas cessa a reacção, e de novo me resigno.
Volto em mim ao que sou, ainda que seja nada.
E alguma coisa de lágrimas sem choro arde nos meus olhos, alguma coisa de angústia que não houve me empola asperamente a garganta seca.
Mas ai, nem sei o que chorara, se houvesse chorado, nem porque foi que o não chorei.
A ficção acompanha-me, como a minha sombra.
E o que quero é dormir.

- Bernardo Soares -

Musica

Cada Lugar Teu By Mafalda Veiga