CCXLIII

... que importa se os acordes do silêncio são límpidos como a chuva dos primeiros dias de Outono? Não chove, dizes-me, com o teu olhar fugidio de quem me quer prender na folhagem doce dos teus braços.
Que importa a chuva se todas as tuas palavras me cantam um beijo de Verão?

_____________________________________________Ás de Copas___

CCXLII

... a saudade que aprendi sob o orvalho das manhãs escreveu nos meus olhos este livro que hoje releio...

_____________________________________________Ás de Copas___

CCXLI

Cativa os meus olhos ao fundo dos teus, e no meu olhar encontras a mentira dos meus dedos no mais intimo da palavra. Tão somente escrevo as linhas do meu coração no paralelo vazio do infinito que me une a ti.

_____________________________________________Ás de Copas___

Patrocinios

Sonhar é também ajudar os outros a concretizar sonhos.

[Na ardósia está escrita a palavra "AMOR" em turco in Turquia-2010.]


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Sonhar passa também pelo sorriso de poder sorrir com outro sorriso. Existem pessoas sonhadoras que acreditam e põem mãos á obra. A Filipa Ferreira é uma dessas pessoas, "sonha, acredita e faz". É por este motivo que o "Ás de Copas", um blog sonhador escrito por uma pessoa sonhadora patrocina a candidatura da Filipa.
A Filipa quer fazer uma expedição ao Polo Norte, quer beijar um esquimó, quer mostrar ao Mundo a
ardósia que faz sempre parte da sua bagagem, quer mostrar que os Portugueses quando se unem são capazes de ser maiores que o Mundo inteiro. Este concurso é a nivel Mundial, concorrem pessoas de todo o Mundo e a Filipa só tem até ao meio-dia oriental do dia 15 de Fevereiro de 2011 para angariar o máximo de votos. E ganhar! Votar é simples, basta entrar aqui , clicar em "login", de seguida clicar em "connect with Facebook", e para terminar mesmo de baixo da foto clicas em "Vote por this entry".
Para esclarecer qualquer dúvida acerca deste concurso ou acerca da forma como podes dar o precioso voto á Filipa podes aceder
aqui.

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Muito Obrigada...

_____________________________________________Ás de Copas___

CCXL

Hoje não há Lua Cheia a ferir desejos. Nem desejos a ofuscar a Lua. Hoje a saudade solta os dedos nas melodias imperfeitas do tempo, toca cartas suspensas no parágrafo mais fundo do coração.

_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXXIX

... tento prende-los em frases soltas, no entanto os teus olhos resvalam sempre para o coração. Pudesse eu cativar essas melancolias dispersas e escrever um livro no silêncio das linhas do teu olhar...

_____________________________________________Ás de Copas___

In Memoriam

A luz por detrás dos meus olhos segreda-me que não existo senão onde quero existir. Tão apenas e só sou afectos...

CCXXXVIII

Fechar a porta. Tudo se resume a fechar a porta e olhar em frente. Rodopiar sobre as voltas na fechadura e dançar sobre a melodia do metal perfeitamente enlaçado na memória da chave. Como um enigma que se escancara do outro lado do mundo. Como um mundo paralelo, fechado, unicamente visitado por mim, quando eu então forasteira, por ele quiser voltar a viajar. Fechar a porta. Tudo se resume a fechar a porta e olhar em frente.

_____________________________________________Ás de Copas___

Rascunho

Convido-me á dor da ultima página...


_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXXVII

Saíste de ti na esperança de retribuires a ansiedade de pouco te pertenceres. O que tu não sabes é que saudade não fere a carne. O que tu não sabes é que a saudade alimenta a alma, mata a fome de olhos fechados e chora sorrisos imensos que nunca se esquecem. O que tu não sabes é que a distância da minha retina aos teus lábios é do tamanho de uma lágrima, da lágrima que te beija, quando só a saudade é longe para te encontrar...

_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXXVI

O sorriso que não se encontra pode esconder-se atrás da voz. E então, sem sentido, a solidão de um silêncio parado entre as sombras move-se. Solta-se o tempo, o tempo que permanece aceso, o tempo que limpa e aprofunda o céu oferecendo-me estrelas onde não as há.


_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXXV

São desejos teus que me beijam na doce saudade da tua mão a desvendar-me...

_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXXIV

Todas as horas me doem e todos os minutos me arranham as entranhas. Sangro doces vitórias nesta derrota amarga sobre mim mesma. As pulsações, uma a uma, derrubam-me e fecham-me mais dentro do túmulo dos meus medos que gritam hemorragias de fantasmas a cortar-me a carne. Eu sei, vivo-me á luz da sombra que me enlouquece e me adormece no desassossego insuportável de ser mais eu.

_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXXIII


Conjugo o beijo no presente da tua voz.
Recordar ainda nos é tão cedo...


_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXXII

... o tanto que mora em mim
estará sempre pronto a abandonar-me.


_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXXI

Nunca a distância nos esteve tão próxima... O descerrar das minhas mãos vazias e a desilusão apertada na ilusão dos meus olhos. Pudesse eu ver o rosto que escondeste na sombra do sorriso que me emprestaste...


_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXX

... e todavia olhámos o mesmo mar em lugares diferentes. Soltámos pássaros nas ventanias do coração e permanecemos a vê-los partir. Distantes. Tu a perderes-te na ausência do meu olhar e eu á deriva da saudade num sereno regresso ao tempo em que não temiamos as palavras da despedida...



_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXIX

Adormeço-me no sal da vida. Repito-me na exaustão breve dos sentidos e sou a correria desperta de quem chega antes de partir. O tudo não me chega e o nada aborrece-me como se matasse o tempo com as minhas próprias mãos. Talvez me encontre sem chamar por mim. Talvez acorde deste chão de sonhos sem tecto de estrelas e o relento chame por mim... talvez a minha mão se feche na concha [da tua mão...]

_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXVIII

Acompanha-me o puro andamento da vida, amor. E ombro a ombro com o tempo que deixámos atrás de nós exaltam-se rios notívagos a marulhar saudades nas noites longas de Lua Cheia. Tão só a nossa praia. A mesma praia onde naufraguei na areia do teu corpo e por onde corri ao sabor salgado das tempestades nas minhas veias. São mares revoltos que se estendem á nossa frente. Imensos mares diurnos, solitários, no mais puro andamento da vida, amor.


_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXVII

Usei as vestes da ira para cobrir o vazio que me doía por me sentir tão incapaz de me dar [a ti]. Fui [-te] tão pouco que, se desarmada da voz que emprestei a cada uma das silabas seria capaz de me desfazer em pó de nada. Cega [por ti] desnudei toda insuficiência de conseguir mostrar [-te] mais do muito que ocultei. Ali fui apenas uma necessitada [de ti], trajei-me de despedida para não abrir caminho ao medo de dizer [-te] o tanto que me falta dizer do Amor que sinto [por ti].


_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXVI

Encostasses tu o teu pensamento ao meu, devagarinho. Sentirias tão somente o desassossego de quase sermos nós, a cruzar a linha da distância em que mergulharam as nossas bocas.

_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXV

Toda a expectativa como um jogo impreciso das nossas vidas. Sobre a mesa espalhámos todos os ases como roupas despidas a colorir um chão sem cor. Tantas e tão poucas noites a pingar Luas quentes e empates disputados nos naipes das nossas mãos. Embaralhámo-nos e voltámo-nos a dar em subtilezas de sedução com a certeza que era o Amor que mais valia. Apostámos sem medo toda a vontade de ganharmos pontos a um tempo que não era o nosso. No auge da vitória arriscámos novas regras e perdemos tudo. Jogámos a carta da derrota sabendo que juntos conseguimos ser um baralho inteiro...

_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXIV

... que caiam, um dia, todas as máscaras entre nós...


_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXIII

Amanheci numa melancolia quase nocturna... A saudade dormente, nostalgia de tantos impulsos a entrar peito adentro quis gritar caminhos, corre-los sem regresso e não mais voltar. Despertaram todas as palavras emaranhadas entre os dedos e sangrou a dor de um desejo vincado na pele: devolve-me a serenidade no primeiro pensamento teu onde me avistares...

_____________________________________________Ás de Copas___

CCXXII

Escondo uma sombra vulnerável debaixo do meu olhar, a lágrima indelével de segredos gemidos, como se cada pestanejar tivesse a dor do silêncio que pulsa apertado entre o teu coração e o meu.

_____________________________________________Ás de Copas___

Castelo de Cartas (volume I)

. Sinopse
.
I-X
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XI-XX
.
XXI-XXX
.
XXXI-XL
.
XLI-L
.
LI-LX
.
LXI-LXX
.
LXXI-LXXX
.
LXXX-XC
.
XCI-C
.
CI-CX
.
CXI-CXX
.
CXXI-CXXX
.
CXXXI-CXL
.
CXLI-CL
.
Rascunhos
.
Posfácio





Textos: Copyright By


Sou uma espécie de carta de jogar, de naipe antigo e incógnito, restando única do baralho perdido.
Não tenho sentido, não sei do meu valor, não tenho a que me compare para que me encontre, não tenho a que sirva para que me conheça.
E assim, em imagens sucessivas em que me descrevo – não sem verdade, mas com mentiras – vou ficando mais nas imagens do que em mim, dizendo-me até não ser, escrevendo com a alma como tinta, útil para mais nada do que para se escrever com ela.
Mas cessa a reacção, e de novo me resigno.
Volto em mim ao que sou, ainda que seja nada.
E alguma coisa de lágrimas sem choro arde nos meus olhos, alguma coisa de angústia que não houve me empola asperamente a garganta seca.
Mas ai, nem sei o que chorara, se houvesse chorado, nem porque foi que o não chorei.
A ficção acompanha-me, como a minha sombra.
E o que quero é dormir.

- Bernardo Soares -

Musica
Le Moulin by Yann Tiersen